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bulimia midiática

Ao Programa Manhã Maior

Na semana passada a Joyce Peu (fundadora do Sinto Muito) foi procurada pela equipe do programa Manhã Maior da RedeTV para contar sua experiência sobre Transtorno Alimentar e Depressão. A Joyce linkou a Natalia Bonfim que não poderia ir ao programa contar sobre sua experiência e assim acabou linkando a mim e a Luciana Caraça como possibilidades. Eu topei em dar a entrevista e acabei linkando a Déa Paulino para ir “no ao vivo”. Há mais de 8 anos damos entrevistas a quem nos pede, pois achamos necessário falar. Não para aparecer, nem para ajudar as pessoas, mas para chegar aonde as redes não chegam e talvez mudar as escolhas de quem passa ou convive com a situação. Um transtorno alimentar não é uma coisa óbvia como fazer dieta, nem tão simples como querer parecer com algum famoso. Transtorno alimentar também não dá depressão. Mas até pela falta de nutrientes provoca alteração de hormônios que pode acarretar desânimo, insônia e falta de vontade de fazer coisas simples e rotineiras. Isso não chama “Depressão Alimentar” como foi dito no programa. Depressão alimentar não existe.
Ou existe? Seria o caso de “Depressão Alimentar” comer ovos coloridos de butecos podres? Ou coxinhas frias de restaurantes de beira-de-estrada? Ou comida chinesa gelada de uma semana atrás? Para os economistas “Deperessão Alimentar” seria a falta de suprimento dos campos de refujiados em Darfur, ou na Somália, ou aqui do lado nas zonas descentralizadas do Norte-Nordeste?

Entendemos a edição e as paródias em temáticas jornalísticas, mas não é possível criar neologismos com termos médicos. Ou teríamos “Salmonela Emocional”, “Azia Psicológica”, Gula Hepática”. Então. Como nós, daqui da RISSCA, somos um coletivo ativista interessado em divulgar e promover a Saúde e Satisfação Corporal gostaríamos que o programa Manhã Maior publicasse essa errata. Uma vez que estivemos no programa não com a intenção de sermos personagens-coitadinhas, mas sim como ativistas que lutam para que as pessoas sejam esclarecidas. É um trabalho didático, mesmo.

Como a apresetadora diz nesse vídeo, em respeito ao público espectador e a responsabilidade que um programa televisivo em rede aberta representa gostaríamos que o uso do termo fosse corrigido, pois se pudessemos nós mesmos faríamos isso ao vivo.

Att, RISSCA

corpos_massinhas_de_modelar

Corpos elétricos: do assujeitamento à estética da existência

Decidi compartilhar o ensaio de Richard Miskolci, presente da Dani Araújo, depois da reunião de hoje com a Sarah Bitar.

Devora-te?

Dois meses atrás a Vogue Paris completou 90 anos e chamou a modelo plus size Crystal Renn para um editorial “comemorativo” com Terry Richardson. O conjunto de imagens foi batizado como “Festin de Babette”. Eis uma delas:

Particularmente achei as imagens um pouco além do limite – e olha que sou uma pessoa que não gosto do óbvio. Me senti um tanto incomodada com a proposta que ilustrava luxuosamente uma mulher tendo  compulsão alimentar. Isso não é cool. Não é valorizar a forma e diversidade. Não tem nada a ver com beleza fora dos padrões. É glamurizar uma doença.

Chega novembro. Crystal aparece novamente em um editorial para a Happer’s Baazar.

Fiquei imaginando o que essa mulher deve ter feito para perder tanto peso em tão pouco tempo.

É a estética de transtornos alimentares ilustrando publicações por aí.