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Ontem, na PEPSICO

Faz uns três meses que a Samegui me convidou para a lista W3, uma lista com blogueiros e pessoas que trabalham com mídias sociais. Às vezes encaminho mensagens e me manifesto, mas tenho que confessar: estou assinando muitas listas e contribuindo menos do que gostaria – em todas elas.

Conheci a Sam por causa do Campus Party @ Campus Verde, em 2008. Desde então sempre que conversamos sobre sustentabilidade e meio ambiente, Sam mostra uma postura bem realista. O que é raro para quem lida com internet e divulgação de campanhas.

Há alguns dias, por meio da lista W3, a Samegui e, seu companheiro, o GNSBrasil me convidaram para conhecer o projeto de sustentabilidade da PEPSICO, em Itu. Eu topei.

Primeiro eles me mandaram o Release da Gincana. De cara identifiquei algumas coisas, porém segurei minha cólera. Resolvi ir lá e ver para depois escrever sobre.

Junto comigo, estiveram lá também:

No Chão de Fábrica

Eu tenho birra de empresas, indústrias, coisas em série. Não porque eu seja maluca, alienada, mas porque acho que esse modelo, do século XX, falhou e não vamos resistir muito tempo no esquema fordista, de lucro vertical, pirando por pseudo-necessidades geradas pelo maketing da mentira.Não gosto de marcas. Elas propagam conceitos de estilo de vida, criaram necessidades e desejos, essas coisas. OK.

MAS, tenho que confessar que pela primeira vez não me senti como uma idiota. A PEPSICO América Latina realmente tem um sistema de Gestão Ambiental, coordenado por uma Engenheira (Andreza Moleiro Araujo). Sim, eles tem ISO 140001 e seguem tudo direitinho. Ninguém com discurso decorado tentou me convencer de nada, de que eram lindos e poderiam mudar o mundo. Honesto.

Fora da fábrica também apóiam projetos para as comunidades de agricultores envolvidas.

Isso não faz a empresa ser A melhor, mas simplesmente mostra que é possível seguir uma forma idônea de operar – ainda que visando o lucro. E tentar mitigar os passivos históricos que essas “instituições” cultivaram ao longo de anos de atividades predatórias.

Mesmo com todos os procedimentos corretos e proteções a fábrica é um lugar delicado: barulho, calor, cheiros. Serviu como uma lição enorme de vida. Agradeci imensamente pelo que faço e como consigo ganhar meu sustento. Não que as atividades que vi sejam precárias ou degradantes. Só que não conseguiria fazer apenas uma parte de um processo, trancada boa parte das horas de um dia.

Sugestões que poderiam melhor o SGA

- Investir em tecnologias de baixo custo e código aberto, no caso da captação solar, por exemplo;

- Investir em projetos de agricultura agroflorestal. Incentivando e dando subsídios aos agricultores;

- Neutralização de Carbono: eu, particularmente, não acredito nisso. Poderiam trabalhar com ONG’s menores de Itu. Ao redor da cidade existem milhares de desertos verdes de eucalipto. Eu acharia mais válido que a Iniciativa Verde;

- TI Verde: é uma área nova para eles. Tanto para encaminhar o lixo eletrônico como na adoção de softwares livres em todas as máquinas da empresa. Uma conversa que quero continuar com a Andreza;

- Pensar em formas de documentar todas essas redes, videozinhos para internet, mostrando da onde vem o que. Valorizar as pessoas, valorizar o processo e mostrá-lo, humanizá-lo;

- Desperdício por causa do controle de qualidade: vi muito salgadinho indo pro lixo. Deu dó;

- Como grande produtora de embalagens, a PEPSICO deveria ter um projeto propositivo e pressionar autoridades sobre as questões obscuras que cercam a política nacional de resíduos sólidos;

- Explicitar o gasto proporcional de cada item de um produto: materia prima, mão de obra, publicidade, investimento socioambiental (…) e tentar equacionar isso da forma mais justa possível.

GINCANA

- Priorizar e usar a premissa de que todas as interfaces serem feitas em plataformas livres (wordpress, plone, drupal, joomla); update aqui: a Sam disse que foi feito em WP, assim, o ideal seria que eles mantivessem os créditos de rodapé, e como são uma corp usando de plataforma livre, deveriam colaborar com donativos para manutenção de releases e desenvolvimento da comunidade WordPress Brasil.

-Todo conteúdo deveria ser licenciado em Creative Commons ou outra licença livre;

- Não ser apenas uma gincana, mas algo como bolsas. Seria muito interessante o funcionário poder desenvolver seu projeto de sustentabilidade e ser apoiado nisso.

PRODUTO

Sim, eles fazem comida artificial com sódio, cheia de caloria e tal. Nesse sentido, deveriam se envolver em algo como a RISSCA (Rede de Incentivo à Saúde e Satisfação Corporal e Alimentar). Mas também são honestos. Em nenhum momento disseram que vendem saladas. As pessoas comem porque querem, não é mesmo.


p.s

Gostei da oportunidade e acho que fica o alerta para a galera hype que se diz preocupada com o social porque promove debate e tal: TEM EMPRESA FAZENDO DE VERDADE.