1984, orwell. 2011, mabegalli.

Daqui 2 meses estaremos todxs em 1 de janeiro. Talvez nem todxs, mas alguns de nós.  Esse ano, a antecessor de 2012 ano de fim-de-mundo, foi marcado por uma série de incertezas e pelo afunilamento  das possibilidades de que realmente a humanidade terá um futuro melhor.  Entre futurologias, ficções e devaneios me perdi um bocado, tomando caminhos errados.

Caminhos errados desde sempre, que eu mesma insisti para não entrar. Um vislumbre de que seria possível hackear o bizarro, além da barreira do impossível. Nem era maio, quando decidi que não poderia entrar em 2012 sem tentar o último salto.  Me joguei. Eis o penhasco.

Duplo Carpado

Era dezembro 2001, estava apaixonado por um caiçara que trabalhava fantasiado de mosquito da dengue, tomando doses cavalares de rémedios para emagrecer, dançando horas por dia, me alimentando de coisas de mentira lotadas de sódio e corantes. Queria ser oceanográfa  mas acordei sem condições de ir fazer o festibular. Me culpei durante anos, tentei esquecer por mais um par deles.

Pois bem. Dez anos depois decidi retomar esse sonho, e nada mais oportuno diante do cenário global regido por marés que  carregam containeres pelos oceanos a dentro: navios fábricas, água de lastro, poluição, ph’s tóxicos.  Arrumei uma república para morar, com meninas dez anos mais novas que acham que tenho a idade delas. O que será disso? Sei não.

Era maio desse ano quando me falaram de quão legal era Yunnus. Tá tudo bem. Acho ele legal lá na Índia. Aqui no BR acho legal o cara que vende açaí no nordeste e estimula a economia local. Meu ídolo se chama Regis Bailux, se chama Karina da Graça e mais um montede outrxs que não adianta citar o nome porque o google nem ranqueia.

Pensei: pô, temos que parar de ovacionar pessoas em eventos, oferecer novos espelhos para nosso povo! Eu só quero aquilo que não é meu! E falo de $. Pensei: “Oras, se eu tiver 2 milhões de reais, ou 1 milhão que seja… Abro um banco (pela Veredas) e monto um esquema de financiar os projetos de quem realmente tá fazendo coisas sem surfar no hype dos discursos de “especialistas”.

Conversei com o Thiago sobre isso meses depois. Ele achou legal. Por que não fazer? A grande questão seria arrumar esse valor. Nem o edital que daria mais grana em 2009 (XPTA LAB) cobria a quantia  (XPTA oferecia 700k). Pensei então aonde teria esse valor, e voltei a uma opção que já tinha cogitado antes.

Sei que as pessoas vão me achar louca (as usual) e vão criticar um monte (mas né, isso sempre fazem). Só que acho bem mais
honesto eu conseguir dinheiro dessa forma do que tentar desviar $ público-privado para fazer projetos que “costumizam a
democracia”.

Ok. Me inscrevi no Big Brother. Mandei um vídeo meio tosco (e não por má vontade) mas porque não achava lógico fazer diferente . Cheguei a ver uns outros vídeos depois de finalizar minha inscrição e pensar: Cara, como eu sou doida, as pessoas fizeram vídeos legais  e eu mandei um DIY, com cam de celular.

Enfim. Tô tentando. Sem saber como funciona nada. Pode ser que os produtores tenham interesse em ter uma pessoa como
eu por lá. Mas realmente não sei. Uma amiga falou: você tem que ir numas baladas que nem o Sirena, tirar umas fotos
que nem gostosona e mandar daí vai ser chamada. E eu pensei: isso não faço.

Esse post é pra documentar a insanidade, mas também tá tornando pública minha inscrição pra ela não se perder no vapor.

Daqui 10 anos vai saber como vou encarar isso :)
Como o blog é meu, e os comentários são moderados, já aviso: se quiser me trollar, dizer que eu tô viajando,  fazer discurso moralista, aproveito e digo para não perder seu tempo. Não vou aprovar comentário desse tipo.

No mais, sigo em contagem regressiva pro ano que vem.
Se fosse falar em arrependimento, diria que a pior coisa que fiz em 2011 foi cortar o cabelo.
Btw, o tempo passa, ele tá crescendo…
e btw(2), o ano ainda não acabou :P

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